Insegurança foi responsável pelo fechamento de cinemas em Conquista


Por Editor / 6 de agosto de 2016

JOÃO MELO

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Hoje em Vitória da Conquista, 3ª maior cidade da Bahia, existem salas de cinema somente no Shopping Conquista Sul. Estão distantes do grande público. Nos anos 60/70/80 chegaram a funcionar simultaneamente cinco cinemas de rua na cidade: Madrigal, Riviera (Conquista), Glória, Ritz, Eldorado e depois Trianon. Quando a televisão se popularizou, disseram que o cinema estava fadado a desaparecer. Depois vieram o vídeo cassete, o DVD e TV por assinatura. Nada disso afastou o público dos cinemas. A insegurança foi responsável pelo afastamento do povão.

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Edilmo Ferreira, (FOTO) gerente de vários destes cinemas, durante 40 anos, reconhece que a partir do advento da TV e vídeo cassete, a freqüência nos cinemas começou a diminuir. Mas não foi motivo para fechamento de nenhuma sala, porque o cinema começou a se inovar, com cinerama, Dolby Stéreo, 3D etc. “A razão maior do afastamento do público foi à falta de segurança. Várias vezes, freqüentadores dos cinemas queixaram que foram assaltados na saída das sessões noturnas, principalmente o Madrigal. Culpo a insegurança como responsável maior pelo encerramento das atividades cinematográficas na cidade. Durante algumas sessões, o publico era de apenas 3, 4 pessoas, o que não pagava nem a iluminação”, lamentou.

Está o centro da cidade sem nenhuma atração cinematográfica. A Prefeitura Municipal que adquiriu o Cinema Madrigal, e prometeu transformá-lo em teatro, cinema, casa de espetáculos, há alguns anos, até hoje não cristalizou as promessas feitas em entrevista coletiva na sede do executivo municipal. Cinema era antes de tudo, local de encontros, de namoro etc.

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As fitas que proporcionaram maior público na cidade foram BEN-HUR, Titanic, Sansão e Dalila e Dio Come ti Amo. Este último, fita italiana, foi recordista nacional, em Vitória da Conquista. Foi exibida meses seguidos, chegando ao ponto de a direção da película ligar para o cinema Madrigal, querendo explicações sobre o fenômeno. A fita produzida em 1966 seria exibida em Salvador durante três semanas. Só teve público durante três dias e mandaram para Vitória da Conquista como “refugo”. Aqui ela estourou. A freqüência foi assustadora. Gigantesca. Recorde absoluto. Ninguém entendeu o que estava acontecendo.

Ao contrário do que muita pensa a safra dos filmes de Kung Fu e pornô não significou a decadência do cinema. Nesta época os dois gêneros proporcionaram bilheterias extraordinárias. O que decretou a “morte” do cinema na cidade foi à insegurança. Outro problema, segundo Ferreira, é que os donos de cinema em Vitória da Conquista demoravam muito em adquirir filmes do circuito nacional. Alguns lançamentos chegavam primeiro em DVD e isto contribuiu também para que o público ficasse decepcionado e aos poucos começou a abandonar as salas de cinema.